quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Algumas Crianças da ficção e uma criança real


Desenho de Rick
Crianças são seres encantadores! Minha mente é povoada por cenas e imagens marcantes de crianças – reais e fictícias    que redesenharam a geografia do meu ser, reconfigurando o meu 'sentir o mundo'. Eis alguns  exemplos do meu portfólio:

Hassan, da obra 'O caçador de pipas',  de Khaled Hosseini, transmitiu-me, de modo singular,  a fragilidade inerente àqueles de idade pueril, gerando luto em mim ( em seu contexto histórico-social, havia muitas crianças, mas pouca infância).

Nullah, do filme Austrália, levou- me a irrigar com lágrimas o meu sofá. Todavia, sua argúcia trouxe-me um reconforto, arrematando de mim até risos!

Lúcia, que imprime gracilidade à adaptação cinematográfica da série de Lewis – As Crônicas de Nárnia – , parece ratificar quão justa a herança de alvará do Reino dos Céus dada às crianças. Sua afeição a Aslam é estonteante! O coração infantil não se engana; reconhece, instintivamente, a perfeição.

Ah! E quanto ao protagonista infantil do longa 'Quem quer ser um milionário'? Encantamento! Este  foi o meu estado  ao visualizar a atuação de Ayush Mahesh Khedekar. Neste filme, Jamal Malik – criança –  parecia pertencer a outra esfera de vida. Aliás, penso que as crianças fazem parte de uma dimensão inescrutável ou, talvez, (fale-se baixinho!) de  uma Ordem Secreta Divina!

Da animação, destaco Mano, o infante pinguim, de Happy  Feet( pés felizes), cuja saga nos alerta para o fato de como devemos ser mais sensíveis à diversidade de expressão demonstrada desde a infância. Filme lindo, um espetáculo em que música e sentimento decantaram minha alma!

A história de Happy Feet  induz-me a Rick, um ex-aluno, portador de uma deficiência  – pernas mirradas – condição  que não o impedia de correr, a todo momento, nas vias da escola em que nos conhecemos e tecemos diálogos interessantes. Um desses, quero registrar. Temo esquecer uma experiência que me fortaleceu enquanto me fragilizava.

— Como você age com os colegas que fazem brincadeiras – bullying, na verdade – com relação a sua deficiência? — perguntei, tentando sublimar meu pesar.

— Ah, eu não me importo muito, mas no fundo fico triste. — disse, com olhar distante.

Encorajei-o, enaltecendo suas qualidades e mudei de assunto.

Rick não deixava, nenhum dia sequer, de me cumprimentar ou me ofertar um gesto de carinho (ai daquele que se candidatasse a ajudar a carregar o meu material!). Havia momentos em que duvidava sobre qual de nós cuidava de quem.

Penso que há um mistério – cujo descerramento aguardo com ânsia desmedida – em torno destes entes sagrados. As crianças aqui apresentadas – dentre muitas outras – ajudaram-me  a ajuizar que  se há alguma coisa para  a qual nasci, seja por vocação ou invocação,  foi para isso: contemplar  o coração infantil; de tal modo, sinto- me mais próxima do céu!

 

Professora  Rosana  Souza

4 comentários:

  1. Que texto lindo, Rosana. Voce é um ser iluminado!

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  2. Obrigada, Jó. Bondade sua! Beijo grande.

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  3. Que lindo Rosana!! Estou me atentando mais as crianças ao meu redor depois q meu irmão nasceu, hj ele está com 6 anos e como me surpreende a cada dia! Criança é uma benção!

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    1. Verdade, Stephanie! Obrigada pelo comentário! Abraço!

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