segunda-feira, 20 de maio de 2013

A liberdade dos escritores

                                             Desenho que retrata o filme Escritores da Liberdade,
                                            produzido por Amanda Oliveira, aluna da turma 2V3
                                       do CMLEM -Alagoinhas.



Naquele sábado letivo, testemunhamos alunos tão receptivos ao trabalho proposto pelo grupo de professores de Linguagens que pensei estar na ficção! A primeira atividade foi a audiovisualização do filme Escritores da liberdade no auditório do colégio. Houve de tudo durante a exibição: risos, aplausos e outros modus operandi teens ! Assim, avalio que houve, sobretudo, sensibilização por tratar-se de uma temática com a qual os estudantes se identificaram. 
No filme, retratam-se realidades diversas, que incluem violência urbana,  evasão e baixo rendimento escolares, além de problemas que denunciam uma estrutura educacional viciosa e, como diferencial, uma professora de primeira viagem idealizando um trabalho que, no mínimo, promovesse a empatia. E, a despeito das pedras e perdas, Erin Gruwell, a professora heroína, consegue o inimaginável: a adesão de alunos classificados como infratores — e outros adjetivos correlatos — a um projeto de mudança de vida por meio da prática da leitura e da escrita. Suas histórias são reconfiguradas a partir disso!
O trabalho com este filme trouxe desdobramentos surpreendentes: poemas, desenhos, textos autobiográficos, apresentação com hip hop, dentre outras expressões. Notei, a partir deste momento, que a educação  precisa despertar as virtudes adormecidas, libertar os escritores, dar voz aos cantores, desvelar os artistas, sob pena de constituir-se algoz de uma geração de sonhos aprisionados! Sobrevieram-me também as imagens utilizadas por Rubem Alves: escola, gaiolas e voo — quando ponderei sobre a ideia de liberdade presente no longa em questão. Em muitos aspectos, a escola tem cumprido a função de gaiola. É preciso, em vez disso, fazer dessa instituição  — ainda partindo da concepção de Rubem Alves— uma agência promotora de voos inimagináveis! 





 

domingo, 12 de maio de 2013

A palavra que (não) querem calar


 
 
Ai, palavras, ai palavras,
que estranha potência, a vossa!
(Cecília Meireles)
 
Naquela tarde, a atividade era sobre os fonemas da letra "x".
Propus uma competição entre grupos.
Vamos ver qual equipe consegue o maior número de palavras com "x"?
– Vamos! – responderam os alunos da turma de 6° ano mais agitada e fofa da escola no ano letivo de 2012.
A cada 2 minutos, um aluno vinha ao meu encontro perguntando se esta ou aquela palavra poderia fazer parte da lista.
Outros eventos foram interessantes, mas mais curioso que este que passarei a relatar, é impensável!
O grupo de Levi, Jones e Luka era o que mais visitava a minha mesa, solicitando ajuda ou apresentando dúvidas. Era este o grupo dos pequenos, mas de interesse enorme em aprender!
Dentre essas solicitações, uma merece destaque:
– Pró, Luka perguntou se... – falou Levi.
– Eu não, você!– interrompe Luka.
– Qual é a dúvida? – perguntei.
– Ah, se vocês não têm coragem... – disse Jones.
– O que é?– reforcei.
– Sexo, pode?– disse Luka, em tom corajoso.
– Sexo é uma palavra?– retruquei.
– É!– respondeu o trio.
– Então...– concluí.
O que se viu, em seguida, foi uma correria para grafar a tal palavra.
Não menos que dois grupos vieram a mim para saber também se 'sexo' podia!
                                                                    
Professora Rosana Souza

sábado, 4 de maio de 2013

Jovens também morrem




Sei que pode soar como clichê, mas a juventude parece estar em extinção! Ser mãe, pai, professor/a, cuidador/a e afins têm sido cada vez mais doloroso, uma vez que muitas despedidas foram antecipadas! Esta elocução foi motivada por perdas recentes. Assim, como educadora – daí sobrevindo o ofício de testemunhar caminhos e descaminhos de jovens – sinto-me compelida a extravasar o meu luto!
Na unidade de ensino em que leciono há 21 anos(!), tomamos conhecimento de inúmeros casos de mortes de adolescentes e jovens que lá estudaram. Tais relatos nos deixam consternados: acidentes trágicos, assassinatos e, no caso mais recente – segundo informações – falha na prestação do serviço público de saúde! 
É inevitável;  indagamo-nos o porquê! Entretanto, atrevo-me, aqui, a declarar a causa mortis desta juventude, a qual é, senão as duas coisas, uma delas: descaso e desamor. O descaso advém de uma conjuntura de governo que se faz omissa e imprecisa. O desamor vem da falta de exemplos, de valores sagrados pouco vistos nas famílias, nas instituições ou comunidades. De qualquer sorte, mesmo corroída por lamento, uno-me àqueles que ainda se importam e oro na esperança de consolo, e de uma fé que se converta em ação!

                                                                                                                         Professora Rosana Souza


P.S.: O presente registro constitui uma singela homenagem à memória de ex-alunos cuja lembrança desfere constrição ao meu coração.Thairine Nogueira, Gisele Cordeiro e Erick Pereira são alguns deles.